Como Construir uma Marca Pessoal
Vivemos numa era em que as pessoas confiam mais noutras pessoas do que em empresas. É neste contexto que a marca pessoal se torna um dos maiores ativos profissionais que alguém pode construir.
Independentemente da área – empreendedorismo, carreira corporativa, prestação de serviços ou criação de conteúdo – a forma como somos percecionados faz toda a diferença.
A autenticidade é hoje um dos principais fatores diferenciadores. Num mercado saturado com informação e perfis semelhantes, quem comunica de forma genuína, coerente e alinhada com os seus valores, é quem terá, naturalmente, o maior destaque.
Em seguida, vamos explorar o que é marca pessoal e o porquê de ser tão relevante no contexto atual. Adicionalmente, veremos também seis passos práticos para construir uma marca pessoal forte, consistente e sustentável.
O que é Marca Pessoal?
A marca pessoal é a perceção que as outras pessoas têm sobre nós, baseada na nossa comunicação, comportamento, valores, competências e experiência. Não é apenas o que dizemos sobre nós próprios, mas sobretudo o que os outros dizem sobre nós quando não estamos a ouvir.
Construir uma marca pessoal não significa criar uma personagem ou “vender-se”. Aliás, é precisamente o contrário. Criar uma marca pessoal significa clarificar quem somos, o que sabemos fazer bem e de que forma é que o que fazemos é relevante para os outros. Conseguimos isto comunicando sempre de forma estratégica e coerente.
6 Passos para Construir uma Marca Pessoal
Construir uma marca pessoal não é algo que aconteça por acaso. Os seis passos seguintes apresentam uma abordagem prática para nos ajudar a estruturar a nossa marca pessoal, desde a definição do posicionamento até à forma como comunicamos e evoluímos ao longo do tempo.
Passo 1: Autoconhecimento
O autoconhecimento é o ponto de partida para a criação de qualquer marca pessoal. Antes de pensarmos na mensagem que queremos comunicar, é essencial compreender quem somos, o que representamos e onde é que queremos chegar. Uma marca pessoal construída sem ter esta base tende a ser inconsistente e pouco credível.
Este processo começa com a identificação dos nossos valores, competências e paixões. Os valores funcionam como um guia para as nossas decisões e comportamentos, enquanto as competências refletem aquilo que sabemos fazer bem. Por sua vez, as paixões, ajudam-nos a garantir que a nossa marca pessoal é sustentável ao longo do tempo, porque está ligada a temas que realmente nos motivam.
É igualmente importante analisar os nossos pontos fortes e as áreas em que precisamos de melhorar. Reconhecer aquilo que nos destaca dos outros permite-nos posicionar-nos com mais confiança e aceitar que existem aspetos que precisam de ser trabalhados revela maturidade e abertura para crescer.
Passo 2: Definir o público-alvo
Uma marca eficaz não tenta falar para toda a gente. É importante que percebamos que quanto mais claro for o público-alvo, mais relevante e forte será a comunicação da nossa marca. É por isso que definir quem queremos impactar é essencial para orientar a linguagem, os conteúdos e os canais que utilizamos.
Neste passo, é importante perceber quem são as pessoas que mais beneficiam do nosso conhecimento, experiência ou abordagem. Que desafios enfrentam? Que objetivos querem alcançar? Que tipo de soluções procuram? Quando temos clareza sobre os problemas que resolvemos, torna-se muito mais fácil comunicar de forma direta e criar uma ligação com o nosso público, pois a marca pessoal ganha força quando existe alinhamento entre o que oferecemos e aquilo que o público realmente precisa.
Além disso, definir o público-alvo também nos ajuda a responder a uma pergunta importante: Porque é que devem optar por mim e não por outra pessoa?
Passo 3: Criar a proposta de valor única
A proposta de valor é uma das peças centrais da marca pessoal. É através dela que conseguimos resumir de forma clara o nosso valor e aquilo que nos diferencia no mercado. Uma boa proposta de valor deve ajudar as pessoas a perceber rapidamente quem somos, o que fazemos e para quem o fazemos.
O que nos torna diferentes pode ser algo na nossa experiência, na nossa metodologia, na nossa visão, no nosso percurso ou até na forma como comunicamos temas complexos de forma simples. Não se trata de “ser melhor do que os outros”, mas sim de sermos claros sobre aquilo que nos torna únicos.
Esta clareza sobre o que fazemos de forma única facilita não só a comunicação da nossa marca, como também a criação de conteúdos e oportunidades alinhadas com o nosso posicionamento.
Passo 4: Construir uma presença digital coerente
A presença digital é, muitas vezes, o primeiro contacto que alguém tem connosco e com a nossa marca. Por isso, é algo que deve ser pensado de forma estratégica e coerente.
Ao contrário do que se pensa, não precisamos de estar presentes em todas as redes sociais. Devemos sim escolher aquelas que fazem sentido para o nosso público e para os nossos objetivos.
Ainda dentro do universo da gestão de redes sociais, mais importante do que a quantidade de publicações é a qualidade da mensagem. Uma comunicação clara, consistente e alinhada com os nossos valores fomenta confiança e gera reconhecimento ao longo do tempo. O tom de voz, a identidade visual e os temas abordados devem manter uma linha coerente, para que a nossa marca pessoal seja fácil de identificar.
Não nos devemos esquecer de manter um alinhamento entre o online e o offline. A nossa marca não deve ser apenas uma imagem digital, mas sim uma extensão real de quem somos e de como atuamos.
Passo 5: Criar conteúdo que reforce a autoridade
O conteúdo é uma das ferramentas mais poderosas para o fortalecimento da nossa marca pessoal. É através dele que demonstramos conhecimento, partilhamos experiências e nutrimos a relação com o nosso público.
Criar conteúdo relevante ajuda-nos a posicionar-nos como referência dentro da nossa área de atuação, sem necessidade de autopromoção constante. Uma estratégia de conteúdo eficiente passa por combinar conteúdos educativos (que ensinam e esclarecem), conteúdos inspiracionais (que partilham aprendizagens através de storytelling) e conteúdos relacionais (que mostram o lado mais humano da nossa marca e incentivam a partilha e interação).
Mais do que publicar com muita frequência, importa ser consistente. A consistência cria expetativa, confiança e familiaridade. Ao longo do tempo, o nosso conteúdo torna-se uma prova clara da nossa autoridade e do nosso valor.
Passo 6: Monitorizar e fazer ajustes
Por fim, é importante dizer que construir uma marca pessoal é um processo dinâmico em constante evolução. Monitorizar resultados permite-nos perceber se a estratégia está alinhada com os nossos objetivos e se a mensagem está a chegar às pessoas certas.
Algumas métricas importantes incluem o nível de interação do público (através de gostos, comentários, mensagens e partilhas), o crescimento da audiência e as oportunidade que surgem no seguimento da nossa presença digital (como convites, parcerias e pedidos de contacto). Mais do que números isolados, queremos analisar tendências e padrões ao longo do tempo, para que os possamos ajustar e crescer.
Em suma, construir uma marca pessoal forte é muito mais do que marcar presença nas redes sociais ou criar e partilhar conteúdos de forma aleatória. É um processo estratégico que começa com autoconhecimento, passa pela definição do público-alvo e da proposta de valor, e ganha força através de uma comunicação consistente, alinhada e intencional. Estes passos podem não funcionar de forma isolada, mas juntos criam uma base sólida para crescermos profissionalmente e nos posicionarmos com clareza no mercado.
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